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Sobre o Sobreiro

Presente sobretudo em regiões temperadas e subtropicais do Hemisfério Norte, em média um sobreiro vive mais de 200 anos. factos e curiosidades

O que é o sobreiro?

O sobreiro é uma árvore perene da família das Fagáceas (Quercus suber), a que também pertencem o castanheiro e o carvalho. Existem 465 espécies de Quercus, principalmente em regiões temperadas e subtropicais do Hemisfério Norte. A cortiça extrai-se da espécie Quercus suber L.

Como nascem os sobreiros?

O sobreiro pode ser semeado, plantado ou propagar-se espontaneamente, como acontece com frequência nos montados, graças às bolotas que caem no solo.

Quais as condições ideais para o crescimento do sobreiro?

O sobreiro é originário da Bacia do Mediterrâneo Ocidental, onde encontra as condições ideais para o seu crescimento:

  • Solos arenosos sem calcário, com baixo nível de azoto e fósforo, elevado nível de potássio e valores de pH entre 4,8 e 7,0;
  • Precipitação de 400-800 mm por ano;
  • Temperatura entre -5º C e 40º C;
  • Altitude de 100-300 m.

Quanto tempo vive um sobreiro?

Um sobreiro vive, em média, mais de 200 anos.

Qual o maior e mais velho sobreiro no mundo?

O mais antigo e mais produtivo sobreiro existente no mundo é o Assobiador, em Águas de Moura, no Alentejo. Plantado em 1783, este sobreiro tem mais de 14 metros de altura e 4,15 metros de perímetro do tronco. Deve o seu nome ao som originado pelas numerosas aves canoras que abriga na sua ramagem. Desde 1820, já foi descortiçado mais de vinte vezes. Em 1991, o seu descortiçamento resultou em 1200 kg de cortiça, mais do que a produção registada pela maioria dos sobreiros em toda a sua vida. Só esta extração deu origem a mais de cem mil rolhas.

O que é o descortiçamento?

O descortiçamento é o processo ancestral de extração da casca do sobreiro - a cortiça. Ainda hoje, este trabalho é feito por profissionais especializados, com uma precisão absoluta, recorrendo a uma única ferramenta: o machado. Esta operação delicada decorre entre maio e agosto, quando a árvore se encontra numa fase mais ativa do crescimento e a casca é mais facilmente retirada do tronco.

Quando é que se faz o primeiro descortiçamento?

O primeiro descortiçamento ocorre quando o sobreiro tem 25 anos e o tronco tenha atingido um perímetro de 70 centímetros, medidos a 1,3 metros do solo. Os descortiçamentos posteriores são feitos com um intervalo de, pelo menos, nove anos.

Ao longo da sua vida, o sobreiro pode ser descortiçado cerca de 17 vezes, com intervalos de nove anos, o que significa que a exploração de cortiça durará, em média, 150 anos.

O primeiro descortiçamento chama-se "desboia" e dele obtém-se a cortiça virgem, que apresenta uma estrutura muito irregular e uma dureza que a torna difícil de trabalhar. Nove anos depois, aquando do segundo descortiçamento, a cortiça, designada de secundeira, já tem uma estrutura regular, menos dura.

A cortiça destas duas primeiras extrações é imprópria para o fabrico de rolhas, sendo utilizada em aplicações para isolamentos, pavimentos, objetos decorativos, entre outros.


A partir do terceiro descortiçamento e seguintes obtém-se a cortiça "amadia" ou de reprodução. Só esta apresenta uma estrutura regular, com costas e barriga lisas, e com as características ideais para a produção de rolhas naturais de qualidade.

Assim que é retirada do sobreiro, a cortiça é imediatamente usada?

Não. Depois do descortiçamento, as pranchas são empilhadas em estruturas próprias e permanecerão ao ar livre durante pelo menos seis meses para que a cortiça estabilize. Este processo rege-se pelo cumprimento rigoroso do Código das Práticas Rolheiras.

Para extrair a cortiça é preciso cortar o sobreiro?

Não. Os descortiçamentos são realizados manualmente e sem recorrer ao abate das árvores. Após cada descortiçamento, o sobreiro realiza um processo original de autorregeneração da casca, o que atribui um caráter excecionalmente sustentável à atividade de extração da cortiça.

Além da cortiça, que outras partes do sobreiro são aproveitadas e para que finalidades?

Do sobreiro nada se desperdiça, todos os seus componentes têm uma utilidade ecológica ou económica:

  • A bolota, fruto do sobreiro, é utilizada como propagação da espécie e também como forragem para animais e para o fabrico de óleos culinários;
  • As folhas são utilizadas como forragem e fertilizante natural;
  • O material que resulta da poda das árvores e os exemplares mais decrépitos fornecem lenha e carvão vegetal;
  • Os taninos e os ácidos naturais existentes na madeira da árvore são usados em produtos químicos e produtos de beleza.

O que significava o sobreiro na Grécia Antiga?

Na Grécia Antiga, os sobreiros eram reverenciados como símbolo de Liberdade e Honra. Por isso, só os sacerdotes tinham permissão para cortar estas árvores.

Os sobreiros são árvores antigas?

Sim. Alguns estudiosos defendem que a existência dos sobreiros remonta há mais de 60 milhões de anos. Está cientificamente provado que os sobreiros resistiram ao período glaciar na bacia do Mediterrâneo, há mais de 25 milhões de anos. Em Portugal, onde existe a maior área de montado do mundo, foi descoberto um fragmento fóssil com mais de dez milhões de anos que demonstra a antiquíssima presença desta árvore no país.

O Sobreiro é uma Árvore Nacional de Portugal

No final de 2011, o sobreiro foi consagrado, por unanimidade da Assembleia da República, a Árvore Nacional de Portugal. Esta classificação está diretamente relacionada com a grande importância económica, social e ambiental que representa para o país. Cerca de 23% da área florestal portuguesa é constituída por sobreiros, que suportam a principal indústria do país, além de darem um contributo fundamental contra a desertificação social e de contribuírem sem paralelo para a preservação da biodiversidade associada ao montado de sobro. 

A importância do sobreiro em Portugal é reconhecida desde o século XIII, altura em que surgiram as primeiras leis de proteção da espécie.

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